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São minhas palavras perpetuando histórias. Revivendo as memórias de coisas que nunca vi. São minhas palavras que criam esse mundo misterioso, do real ao ficcional. COSTA, JOÃO. MEU PENSAR , CONTOS , PROSAS E POEMAS 2 (02) . Edição do Kindle.

sexta-feira, 30 de março de 2018

TEMPOS DE TRAIÇÃO POSSUÍDOS POR AMBIÇÃO.


TRECHO DO LIVRO.

Lancarto já estava a sem esperança, havia sobrevivido até aquele momento graças às proteínas das aranhas que já estavam em números reduzidos, seus olhos se habituaram à escuridão, e ele observava com calma as poucas que ainda existiam. Uma delas, como se soubesse que para a sobrevivência da espécie teria que lhe mostrar uma saída, se deslocou por um pequeno orifício na parede e desapareceu entre essa fissura. Ele a observava atentamente, foi testando a parede até achar a que lhe parecia menos espessa. No desespero, tentou improvisar uma ferramenta de pedra que se desprendera com a explosão, mas ela se quebrou facilmente por ser de origem vulcânica, o que o deixou muito irritado. Ele gritou e esbravejou para si mesmo e para as aranhas: “Thomas... Ah, aquele desgraçado vai me pagar!” Esbravejou várias vezes, cheio de ódio.
Thomas havia levado todas as ferramentas com ele, incluindo a picareta. Lancarto usou o pé para quebrar uma estalagmite, que se mostrou um pouco mais resistente do que ele achava, pegou uma ponta e começou a escavar num ritmo frenético. As paredes de quartzo não eram tão resistentes, a ponto de fazê-lo desistir. Suas forças vinham da sua linhagem: seu pai fora um herói que morrera com honra, e ele guardara suas medalhas como referência de vida.
Suas mãos começaram a sangrar, e ele diminuiu o ritmo. Descansou recostado na parede da caverna e chorou de dor e raiva. Disposto a nascer de novo, depois de mais duas horas de escavação, com o cansaço querendo abater de novo sobre ele, Lancarto buscou forças nas entranhas da sua mente vingativa, invocou as forças das trevas para concluir seu intento,e mesmo exaurido quebrou quantas estalagmites eram necessária para continuar escavando. Rasgou sua calça e a manga da sua camisa e fez uma proteção para continuar sua tentativa de liberdade. Quando se sentia exausto, parava por alguns minutos somente e logo retornava àquela dura empreitada em busca da liberdade.
Lancarto era alimentado por um ódio que só crescia dentro de si. Por dois dias, a proteína das últimas aranhas o alimentou o suficiente para conseguir a sua liberdade. Seu esforço não havia sido em vão, e depois de muito escavar conseguiu uma abertura o suficiente para passar o seu corpo avantajado - ele havia perdido uns dez quilos, o que o ajudou a sair por uma fenda não muito larga. As suas mãos estavam em carne viva, agora ele era obrigado a rasgar o resto das pernas das suas calças para improvisar proteção para suas mãos, para escalar uma pequena parede. Com muito sacrifício, alcançou um respirador da caverna, escalou cem metros de parede agarrando-se a vegetação até alcançar o topo. Lancarto visualizou sua liberdade no horizonte. Do lado de fora, tentou dar um grito de liberdade, encheu seu pulmão de ar, mas o grito não saiu de tão debilitado que estava. Um choro contido, emocionalmente feliz, rolou por seu rosto, e ele desabou no chão e ficou estendido por duas horas até recobrar as forças.

quarta-feira, 28 de março de 2018

MEU PENSAR PROSAS CONTOS E POEMAS

Muitas histórias surgem quando menos esperamos. E isso se chama inspiração. É algo com oqual eu concordo quase que plenamente, porém no meu caso não creio especificamente nessa única fonte. Gosto de pensar que as minhas inspirações também sejam fruto do contexto do qual fui alimentado, pois sem essas raízes naturais eu não seria capaz de me manter fiel às minhas virtudes, que foram colocadas em teste por longos anos. Elas me proporcionaram subsídios para uma análise constante a fim de criar esse modo de pensar. Assim como outros autores que vivenciaram de forma explícita grandes acontecimentos da história e se tornaram mestres na arte de se expressar. Acredito que eles também devem agradecer terem vivido tais experiências. Ao concluir esses trechos, de contos, prosas e poemas, nos quais tento transmitir pequenos fragmentos e reflexos de uma vida em contexto, devo admitir que a minha razão e sensibilidade não poderiam existir sem uma origem. Por esse motivo sou eternamente grato ao meu pai e à minha mãe por terem me dado a vida com seus momentos de luta e lucidez. E de terem me alimentado com essa vertente que influenciou minha existência



segunda-feira, 26 de março de 2018

MEU PENSAR PROSAS CONTOS E POEMAS



                                                                       JOÃO MC.JR


https://www.amazon.com.br/Meu-pensar-contos-prosas-poemas/dp/8536651954/ref=redir_mobile_desktop?_encoding=UTF8

domingo, 25 de março de 2018

Trecho do livro. JOGO SUJO CIDADE DO CRIME


Paris. Ano 2025.
A manhã está agradável, o clima perfeito, o céu salpicado de poucas nuvens e com seu azul-turquesa ao fundo e um convite para desfrutarem dessa manhã, a temperatura de 15 graus positivos anima o casal que acorda cedo para aproveitar o seu penúltimo dia de férias na cidade
luz.
Haviam deixado para este dia o passeio que
consideravam mais relevante. O clima cooperava para a
maratona cultural daquele dia, uma estação perfeita para quem está de férias, num país considerado como o símbolo da
democracia no mundo.
O casal toma café no PAX HOTEL. Conversam
enquanto fazem sua degustação de Pan au Chocolat.
A mulher diz:
- Malone, você esta com uma cara de felicidade esta
manhã! Parece que há uma energia emanando de você não vai me dizer tudo isto é fruto de nossa noite de amor ou o passeio está mexendo com você?
- Sabe, Olga. Você tem dupla razão. Os anos passam e tanto
você quanto Paris ainda me enchem de amor e desejo.
Com um sorriso e um beijo na face feminina, Malone
completa a frase.
- Você adora Paris Olga, e eu adoro você
- Como não gostar, o clima dessa cidade faz cocegas no seu ego e você fica parecendo um adolescente com toda essa energia que chega a me assustar, mas como evitar tudo isso    se aqui se como bem se respira democracia, o ar esta impregnado de cultura, há museus por toda parte, o passado está presente e o futuro se concretiza dia após dia. A violência não está presente no cotidiano da cidade e a corrupção não se
estabelece como meio de enriquecimento ilícito, tudo que nós deixa com uma certa leveza do ser e você sem suas preocupações rotineiras.
-Você ficou tão poética  essa manhã querida, que estou achando que vamos voltar para suíte.

sábado, 24 de março de 2018

TRAPAÇAS DO DESTINO CAUSA E EFEITO

Lembrei de você quando li esta citação de "Trapaças do Destino: causa e efeito" de João MC Jr. - "José sabia que quando um ser vazio, desprovido do medo, caminha para o abismo e contempla caminhos tortuosos, acaba vagando perdido em si mesmo, sem poder constatar que caminhos não há pra voltar. Ele percebia com sua alma em jogo que, nas sombras da noite esses obscuros seres ardilosos espreitam, envolvem e embalam em um sono profundo. Não há como despertar. José Francisco estava em uma fase da vida extremamente perigosa. Lutava para desvencilhar-se das armadilhas que o cercava. Via constantemente, conhecidos seus de andanças pelas ruas sucumbirem ao vício ou se tornarem presas fáceis nas mãos dos traficantes que os exploravam e depois os descartavam como lixo nos guetos ou vielas, na escuridão das noites. Seres de alma vazia e atormentada a caminho do abismo, consumidos por sonhos de prazer, se deslumbram com um mar de lama, como se fossem rios de mel. São cegos em desatinos encobertos pela sombra da noite, não enxergam o abismo, as armadilhas das sombras. Senhores dos guetos atormentam os pobres de espírito, que vivem solitários e de alma perdida já que só o vício governa suas vidas, que de tão breve, nada além das sombras terão. José Francisco ao terminar esses seus textos-mural, sentia como se tivesse criado um amuleto que o protegeria pela cidade. Sentia que sua missão estaria cumprida ao alertar os pobres de espírito que vagavam como ele pela cidade" Comece a ler este livro gratuitamente: http://amz.onl/aijyFZl

sexta-feira, 23 de março de 2018

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME

À noite.
Ao chegar em casa, Malone encontra Olga na sala lendo um livro com um título sugestivo: A Arte de Vencer o Medo. – Que título sugestivo, querida! Quem é o autor? – O livro é de um autor novo, Malone. Ele narra a experiência de adaptação numa cidade violenta, após sair do interior do país e vir para a capital tentar vencer o medo do mundo urbano. Para conquistar seu espaço como escritor, ele pretende terminar o livro sobre a vida de um policial infiltrado no mundo da máfia que tem de frequentar lugares perigosos, assim como seu personagem. Naquela hora, comunicar à esposa a sua transferência para a Delegacia de Roubos a Bancos passou a ser um desafio. O livro que Olga lia parecia mais um presságio na vida do delegado. Malone dá um tempo e caminha ao banheiro pensativo e, cantarolando uma música em italiano, ele toma banho. Olga tira a lasanha de vegetais do formo, a preferida de Malone, arruma a salada com um quiche de aipo e diz: – Querido, vê se para de imitar o Pavarotti porque o jantar vai esfriar. O jantar já está na mesa! – grita a esposa. Malone se senta à mesa e diz para Olga: – Que cheirinho bom, Olga, é receita da Magela? – Não se iluda, essa daí é comprada mesmo, a única diferença é que é importada, meu carcamano. O delegado sorri e responde: – Mesmo assim foi uma boa escolha. Por alguns minutos, Malone parece sair do ar e come calado. Olga percebe que não é o comportamento habitual do esposo e pergunta: – O que você quer me contar? Pode falar, querido. Nada mais me assusta neste país. O que roubaram desta vez? O retrato do governador pintado por Van Gogh no gabinete do Palácio Laranja? – dispara ironicamente Olga, para descontrair e não pensar que poderia ser algo pior

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME DO CRIME.

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quinta-feira, 22 de março de 2018

O MENINO QUE QUERIA VOAR.

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segunda-feira, 19 de março de 2018

O MENINO QUE QUERIA VOAR.

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sábado, 17 de março de 2018

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME DO CRIME.

https://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0+102281&Nr=AND%28product.siteId%3Acultura%2COR%28product.catalogId%3Adefault_catalog%29%29&Ntt=Jogo+sujo+cidade+do+crimev
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domingo, 11 de março de 2018

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME DO CRIME.

Lembrei de você quando li esta citação de "Jogo Sujo: Cidade do Crime" de João MC Jr. - ". Somente com a participação de pessoas responsáveis por esta área os assaltos poderiam ser bem-sucedidos. Esse era seu ponto de vista e não podia externá-lo naquele momento. Por ironia do destino, o delegado também tinha certeza de que tais problemas estavam relacionados ao passado da cidade. Rio de Rosário teve uma de suas primeiras favelas originada logo após a libertação dos escravos, que logicamente não tinham para onde ir e formaram esses aglomerados de gente. Não receberam nenhum amparo na época para tocar suas vidas e, sem perspectivas nem ensino, ficaram entregues à própria sorte. Ademais, outras aglomerações surgiram por ocupação de soldados que não tinham moradias quando voltaram da guerra e se estabeleceram no morro, formando uma cabeça de porco ou cortiço como eram chamados naquela época. Em 1893 o prefeito demoliu os cortiços, mas deixou que os moradores levassem os restos de madeira da demolição para que fizessem barracos em lugares distantes do centro da cidade. Com tal atitude tomada no século XIX, já se mostrava que tipo de governante Rio de Rosário teria dali pra frente. De uma favela para mil favelas bastou somente um século. Hoje, em pleno ano de 2025, a polícia tenta recuperar do tráfico o domínio dos territórios abandonados por mais de um século. Era isso o que o delegado constatava naquele momento e que muito o preocupava. O trafico nas áreas carentes localizadas perto do bairro Azul atuava de forma discreta, mas nem na zona sul da cidade a violência estava sob controle. O número de assaltos a condomínios, a bares e a turistas só aumentava e isso fazia com que os bandidos mudassem só de endereço, mas o crime era igualmente perpetrado. Do ponto de vista do delegado, o que houve, na realidade, foi o deslocamento estratégico deste tipo de criminoso para a periferia, que hoje se encontra dominada pelo tráfico e relegada ao segundo plano do governo. O bairro Marrom havia se transformado no local perfeito para vários tipos de criminosos se agruparem, e ali, reunidos, eles se sentiam protegidos. Depois de restabelecida a ordem em alguns morros os moradores estavam sendo tratados quase como cidadão rio-rosarianos, mas havia um preço a pagar e eles tiveram de saldá-lo mediante serviços antes subsidiados e gratuitos. Impostos que nunca foram cobrados, por exemplo, passaram a ser. E os moradores que não conseguiam pagá-los tinham, com o tempo, seu imóvel penhorado pela prefeitura. Isso fez com que o custo de vida ficasse muito elevado, levando os moradores ao desespero. Como suas rendas não aumentavam, eles passaram a vender seus imóveis para investidores obscuros e isso deu chance ao governo de praticar seu plano de remoção. Alguma oferta irrecusável era feita então aos moradores, que, além dos impostos, também estavam endividados por serviços como os de internet, banda larga e tevê a cabo. E, com outra de suas ideias utópicas, o governo lançou títulos de capitalização com o intuito de angariar fundos e financiou a expansão imobiliária. Foram feitas ofertas de compra de casas a preços três vezes acima do valor de mercado mais o perdão das dívidas em troca de apartamentos no bairro Marrom. Os moradores não resistiram à oferta tentadora e a aceitaram, já que, além de ganharem um bom apartamento, eles ficariam, como prometia o governo, com algum dinheiro na mão. Contudo, por trás da oferta tentadora estava a máfia disfarçada de investidores imobiliários de grupos estrangeiros. O governo dava seu aval a esses grupos e fingia desconhecer a origem do dinheiro, pois ganharia muito com os impostos depois que os morros da zona sul fossem transformados em condomínios de luxo." Comece a ler este livro gratuitamente: http://amz.onl/fRPBwDM

sábado, 10 de março de 2018

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME

Os dois se dirigem ao frigobar e cada um deles pega uma soda e a bebe quase numa golada só. Ansiosos para contar o dinheiro, abrem a maleta eufóricos e notam que os pacotes de notas de euros estavam em maços de cinquenta mil. Em seguida, eles se apressam tentando colocá-los em suas mochilas enormes. O embaixador se acomoda no sofá e observa a tudo atentamente, prevendo algo. Os rapazes de repente diminuem o ritmo frenético, uma vez que seus braços parecem não responder mais à sua vontade. Os dois param ao mesmo tempo, olham para o embaixador e, num último inútil esforço, tentam levar as mãos à cintura a fim de sacarem suas armas. O embaixador se levanta calmamente, aproxima-se de um deles, retira a sua arma e fala em seu ouvido: – É inútil reagir, pois dormirão em um segundo... Antes que o embaixador concluísse a frase, os dois rapazes caíram de costas desmaiados. O embaixador pega todo o dinheiro de volta e recoloca os maços na maleta. Dirige-se ao telefone do hotel na cabeceira da cama, aperta a tecla 1, a recepcionista atende e ele diz: – Sofia, é o delegado Malone. Manda o detetive Ribeiro e sua equipe ao apartamento para recolherem a dupla dinâmica. Os anjinhos dormiram. – Delegado, hoje foi muito rápido. Não vamos pagar nem sequer uma diária ao hotel. – Eles estavam com muita pressa, Sofia, e foram com muita sede ao pote. Resolveram dormir mais cedo, detetive – respondeu o delegado, demonstrando que a recepcionista também é uma agente da lei.

MC Jr., João. Jogo Sujo: Cidade do Crime (Locais do Kindle 340-352). Ponto Vital. Edição do Kindle.

terça-feira, 6 de março de 2018

TRAPAÇAS DO DESTINO CAUSA E EFEITO

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sexta-feira, 2 de março de 2018

Trecho do livro JOGO SUJO CIDADE DO CRIME DO CRIME.

Lembrei de você quando li esta citação de "Jogo Sujo: Cidade do Crime" de João MC Jr. - "Como um estranho no ninho, porém, um homem ainda resiste às tentações e à cobiça do enriquecimento ilícito. Esse homem se chama Antunes Malone, um delegado aparentemente acuado pelo sistema corrupto de sua cidade. Sua ética não lhe permite fugir de seus ideais e ele sempre recorda uma frase de Che Guevara para definir suas atitudes: “Retroceder sim, render-se jamais”. Consciente do perigo, Malone tenta resolver por conta própria todos os desafios. Assim, ele precisa mais do que certo idealismo e mais do que a coragem para encarar de frente o crime organizado. Não bastam os ideais éticos, já que a situação requer mais astúcia e sangue-frio. Não estamos mais na época das retóricas e o tempo, logicamente, agora é outro. De igual sorte, jamais se deve confiar no sistema. Então, somente Malone sabe de suas determinações. Muitos proeminentes cidadãos de Rio de Rosário se questionariam caso soubessem das intenções de Malone. As duas perguntas prováveis seriam estas: “Por que um delegado, bem-sucedido e no final de carreira, tem tais preocupações e seu conhecido pudor e idealismo com a ética? Por que ele coloca sua vida em risco quando mais fácil seria simplesmente aposentar-se e levar todas as suas condecorações por bons serviços prestados, usufruindo da natural tranquilidade do ócio sem os fantasmas dos inimigos seguindo seus passos?”. Na atual conjuntura é quase incompreensível tal posicionamento, talvez sendo mais fácil entender suas convicções se pudéssemos invadir seu cérebro e penetrar nas entranhas dos seus pensamentos. Assim poderíamos saber como se forma um caráter e conhecer seus conceitos, sua forte chama ética e, consequentemente, seus princípios morais e suas virtudes. Mas ao agir com sua sabedoria, senso de justiça, coragem, moderação e lucidez, isso permite a Malone avaliar e concluir que sua luta é inglória contra os valores pervertidos. Em suas reflexões ele chega à conclusão de que, nos dias atuais, a chama ética da virtude se perde no universo nebuloso em que vivemos. Entre a percepção da realidade e o universo ficcional inserido no cotidiano desta cidade, tudo é possível e pode-se afirmar que o princípio básico da ética está em um conceito que foi deixado de lado: a vergonha. Desprovidas dessa moral, as pessoas não se deixam formar conceitos éticos dentro de si e, sem tal excelência, não se deixam inserir nos princípios básicos de outras virtudes. Os sem-vergonha não têm medo do malfeito nem da cretinice e os indignados da cidade, enquanto isso, ficam perplexos e não entendem por que os sem-vergonha são tratados com certa benevolência e até são classificados carinhosamente por seus pares e por parte da sociedade educada de caras de pau – e muitas vezes considerados, pelos intelectuais analistas do comedimento humano, meros doentes mentais portadores de desvios de condutas. Como diz o delegado Malone: “Já presenciei muitos bandidos, assassinos e corruptos praticarem barbaridades e mudarem sua personalidade na frente do juiz, usando artimanhas e se passando por loucos ou paraplégicos para escaparem de sentenças maiores”. Seja de que forma sejam considerados, fica no ar esse sentimento profundo e desagradável da depreciação do juízo e percebe-se nestas pessoas que a falta do sentimento do medo, relacionado ao receio da desonra, foi perdido. Tal deplorável constatação deixa-nos atônitos e conclui-se que a chama ética se apagou. Esse é o ponto contraditório que se descortina na realidade latente que mais se assemelha à ficção dos filmes em cartaz, que se fundem, de forma explícita, à realidade estampada nos noticiários jornalísticos e demais periódicos. Tal conflito urbano perturbador faz com que as pessoas percam a percepção entre o que é real e a ficção no seu cotidiano, muitas vezes ficando sem coragem de encarar a realidade e preferindo fechar os olhos ao que existe de fato. Assim é que não enxergam as milhares de mortes oriundas da peleja jogada no campo sujo deste caos urbano, mascarado, de um lado, sutilmente, embora deixando sua mácula irreparável. Eis o ponto inicial do conceito para se ir direto à abordagem." Comece a ler este livro gratuitamente: http://amz.onl/2Sdr9lF
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME.

PRÓLOGO Ano 2025. Os principais jornais internacionais noticiam, com grande pompa, a aterrissagem de uma nave espacial chinesa no planeta Marte. Sem muito alarde, os chineses venceram a corrida espacial e chegaram antes dos americanos e dos russos e se consagraram como os primeiros seres humanos a pisar no solo de Marte. Eles ainda não haviam detectado sinais de vida inteligente em Marte mas, ao fincarem sua bandeira vermelha lá, descobriram um volume de petróleo tão abundante como se fosse um mar de lama negra. O problema dos chineses seria a construção de naves de carga, para assim poder transportar o petróleo e se tornarem os novos reis do ouro-negro. Já na Terra, em outra manchete alentadora, era feita a descoberta da cura do câncer na Índia, sendo ambos os fatos extraordinários para humanidade. Em alguns países estavam sendo desativadas prisões de segurança máxima com a redução do número de criminosos e, consequentemente, do crime – organizado ou não. Certos governos haviam equacionado de forma inteligente a onda de violência urbana em seus países e, com a ciência evoluindo quase ao ritmo da velocidade da luz, foi possível a descoberta da vacina antidroga. Na contramão dos avanços de ordem científica e punitiva, a queda das desigualdades sociais – sendo ambos os fatores apontados como responsáveis pelo progresso nos países – no hemisfério sul, na cidade de Rio de Rosário, vive-se à sombra do medo. Com o aumento dos derivados de petróleo no mundo, devido à Guerra do Oriente contrabando de gasolina enriquecia a máfia do petróleo. O aumento da criminalidade abarrotava as prisões de criminosos, as quais explodiam em violência com a superlotação. Muitos prisioneiros amotinados degolavam seus rivais para poder reduzir a população carcerária, que sem dúvida extrapolava o limite da tolerância humana. Nas ruas havia um confronto diário que deixava rastros de sangue nas esquinas e nos guetos. Como um estranho no ninho, porém, um homem ainda resiste às tentações e à cobiça do enriquecimento ilícito. Esse homem se chama Antunes Malone, um delegado aparentemente acuado pelo sistema corrupto de sua cidade. Sua ética não lhe permite fugir de seus ideais e ele sempre recorda uma frase de Che Guevara para definir suas atitudes: “Retroceder sim, render-se jamais”. Consciente do perigo, Malone tenta resolver por conta própria todos os desafios. Assim, ele precisa mais do que certo idealismo e mais do que a coragem para encarar de frente o crime organizado. Não bastam os ideais éticos, já que a situação requer mais astúcia e sangue-frio. Não estamos mais na época das retóricas e o tempo, logicamente, agora é outro. De igual sorte, jamais se deve confiar no sistema. Então, somente Malone sabe de suas determinações. Muitos proeminentes cidadãos de Rio de Rosário se questionariam caso soubessem das intenções de Malone. As duas perguntas prováveis seriam estas: “Por que um delegado, bem-sucedido e no final de carreira, tem tais preocupações e seu conhecido pudor e idealismo com a ética? Por que ele coloca sua vida em risco quando mais fácil seria simplesmente aposentar-se e levar todas as suas condecorações por bons serviços prestados,

MC Jr., João. Jogo Sujo: Cidade do Crime (Locais do Kindle 32-44). Ponto Vital. Edição do Kindle.

MC Jr., João. Jogo Sujo: Cidade do Crime (Locais do Kindle 20-32). Ponto Vital. Edição do Kindle.


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

MEU PENSAR CONTOS PROSAS E POEMAS.

DESPERTAR
Ao acordar de mais um pesadelo, deparo-me com mais um
desafio: desvendar este mistério contido no meu subconsciente
adormecido, este elo perdido entre a razão e a realidade.
Da vida espero vencer obstáculos criados por nós mesmos.
Saber obter o necessário para viver, viver para construir.
Pois sufoca-nos a realidade, esta necessidade de ter para
Construir, ter para consumir, consumir para ter.
Só precisamos de saúde para vencer, coragem e amor para
Viver.

SAUDADES...
Se este meu querer
Por ti me dá prazer.
Se tudo que eu penso
Me leva até você.
Nem a distância apaga a lembrança
Deste amor que trago guardado.
Recordo lisonjeado
Os doces beijos teus.
O sonho não acabou.
Bons momentos ficaram guardados,
O tempo não passou.
Quisera, meu bem, quisera.
Que a vida que se revela
Seja melhor que uma novela,
Não repita as mesmas histórias.
De capítulos requentados e dramas repetidos

sábado, 24 de fevereiro de 2018

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME DO CRIME DO CRIME.

Lembrei de você quando li esta citação de "Jogo Sujo: Cidade do Crime" de João MC Jr. - "Para um Estado que pretendesse sair do atraso nessas áreas, a transformação por investimentos em conhecimento e domínio da tecnologia e da cultura estava aquém do esperado. Foi assim que os jovens moradores não foram incluídos em nenhum programa de desenvolvimento educacional de grande porte e voltaram a roubar celulares e a vendê-los nos novos camelódromos do bairro Marrom, onde não eram incomodados por negociarem suas mercadorias. Afinal, eles estavam longe do centro de Rio de Rosário e não interferiam no comércio da classe média. Ser reféns do tráfico virou rotina para esses jovens. Os traficantes se sentiam menos incomodados e continuavam abastecendo com drogas de toda espécie as classes alta e média da cidade. Aos pobres viciados em drogas só restava o crack, a subdroga que matava cada vez mais rápido em todo o país. O crack não dava muito trabalho ao governo e este considerava um caso perdido investir recursos em prol da recuperação das vítimas do tráfico. Por isso, aliás, o governo criou lugares na periferia onde era permitido o uso indiscriminado da droga letal. O governo também desenvolveu um sistema rápido de remoção de corpos. Com isso, os cadáveres encontrados ao relento eram retirados imediatamente e levados para o Crematório Municipal de Rio de Rosário. Era um sistema ágil, não dando tempo à imprensa de fazer qualquer reportagem a respeito das dezenas de corpos de jovens banidos do convívio social. A rigor, o procedimento não deixava pistas e só aumentava as estatísticas dos desaparecidos. As mães de Rio de Rosário choravam o desaparecimento dos filhos consumidos pelo vício e, sem uma “Praça de Maio” ou alguma causa lógica evidente, choravam em qualquer canto da cidade e em cada beco do bairro Marrom. Vivia-se um momento perigoso e decadente na área social devido à má administração de anos e anos seguidos. Poucas pessoas tinham a coragem de enfrentar a máfia do Judiciário e eram elas, por fim, a única voz dissonante" Comece a ler este livro gratuitamente: http://amz.onl/9ElPCj5

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO SURGE UM DESEJO. POIS SONHOS SÃO ENIGMAS QUE REGEM A NATUREZA HUMANA.

Lembrei de você quando li esta citação de "O menino que queria voar" de João M.C. Jr. - "Estava em jogo o seu primeiro meio salário mínimo. Ao fim desses dias de aprendizagem , sentia que melhores dias estavam lentamente chegando, e voltava para casa cheio de esperança . Subia o Morro do Salgueiro e passava por toda aquela malandragem, pulando de dois em dois degraus a longa escadaria que levava à sua casa, com a esperança de um dia poder estar longe daquela situação de desconforto e pobreza. Agora com sua carteira de menor, mesmo sem estar assinada, podia mostrar documentos à polícia para provar que trabalhava e não era vagabundo; era a rotina do dia a dia. Conviver com a malandragem era outra façanha, ou seja, não ser tirado como otário e não virar frangalho na mão da malandragem ou tentar ser esperto demais e fazer parte da gangue. A malandragem recrutava os metidos a esperto e pensaria que poderia lhe chamar para uma jogada ou, provavelmente, uma furada sem volta. Quando estava na rua ou em uma" Comece a ler este livro gratuitamente: http://amz.onl/2a3XbKw

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME

Depois de restabelecida a ordem em alguns morros os moradores estavam sendo tratados quase como cidadão rio-rosarianos, mas havia um preço a pagar e eles tiveram de saldá-lo mediante serviços antes subsidiados e gratuitos. Impostos que nunca foram cobrados, por exemplo, passaram a ser. E os moradores que não conseguiam pagá-los tinham, com o tempo, seu imóvel penhorado pela prefeitura. Isso fez com que o custo de vida ficasse muito elevado, levando os moradores ao desespero. Como suas rendas não aumentavam, eles passaram a vender seus imóveis para investidores obscuros e isso deu chance ao governo de praticar seu plano de remoção. Alguma oferta irrecusável era feita então aos moradores, que, além dos impostos, também estavam endividados por serviços como os de internet, banda larga e tevê a cabo. E, com outra de suas ideias utópicas, o governo lançou títulos de capitalização com o intuito de angariar fundos e financiou a expansão imobiliária. Foram feitas ofertas de compra de casas a preços três vezes acima do valor de mercado mais o perdão das dívidas em troca de apartamentos no bairro Marrom. Os moradores não resistiram à oferta tentadora e a aceitaram, já que, além de ganharem um bom apartamento, eles ficariam, como prometia o governo, com algum dinheiro na mão. Contudo, por trás da oferta tentadora estava a máfia disfarçada de investidores imobiliários de grupos estrangeiros. O governo dava seu aval a esses grupos e fingia desconhecer a origem do dinheiro, pois ganharia muito com os impostos depois que os morros da zona sul fossem transformados em condomínios de luxo. Aos favelados o governo prometia casas no bairro Marrom, para onde o tráfico já

MC Jr., João. Jogo Sujo: Cidade do Crime (Locais do Kindle 414-426). Ponto Vital. Edição do Kindle.
havia se transferido quando os morros foram pacificados. O delegado achava que essa política de construção de moradias aglomeradas não resolvia o problema, pois o governo juntara os moradores ao tráfico outra vez e demonstrava a sua incapacidade de planejamento. Quando se tratava de política social, pensava, o joio não se separa do trigo. A educação de nível transformador não era prioridade, uma vez que só se ensinava o básico. A inclusão social se dava através de programas de conteúdo primário e não visava a ganhos futuros na área do conhecimento de nível superior. Para um Estado que pretendesse sair do atraso nessas áreas, a transformação por investimentos em conhecimento e domínio da tecnologia e da cultura estava aquém do esperado. Foi assim que os jovens moradores não foram incluídos em nenhum programa de desenvolvimento educacional de grande porte e voltaram a roubar celulares e a vendê-los nos novos camelódromos do bairro Marrom, onde não eram incomodados por negociarem suas mercadorias. Afinal, eles estavam longe do centro de Rio de Rosário e não interferiam no comércio da classe média. Ser reféns do tráfico virou rotina para esses jovens. Os traficantes se sentiam menos incomodados e continuavam abastecendo com drogas de toda espécie as classes alta e média da cidade. Aos pobres viciados em drogas só restava o crack, a subdroga que matava cada vez mais rápido em todo o país. O crack não dava muito trabalho ao governo e este considerava um caso perdido investir recursos em prol da recuperação das vítimas do tráfico.

MC Jr., João. Jogo Sujo: Cidade do Crime (Locais do Kindle 426-437). Ponto Vital. Edição do Kindle. 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

BREVE. UM SILICONE ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA. A história do primeiro Sherlock Holmes Brasileiro envolvido em uma trama de assainato e espionagem internacional. O QUE seria trágico se não fosse cômico.

O per­so­nagem cen­tral é um de­te­tive com um vasto cur­rí­culo em elu­ci­da­ções de crimes e aban­do­nado pela mu­lher que não aguen­tava mais a sua vida de boêmio. Per­tur­bado pela se­pa­ração, ele cir­cula pela noite em busca de emo­ções, das noites ca­ri­ocas dos in­fer­ni­nhos da Lapa de­ca­dente. Reduto  da Ma­dame Satã.

TEMPOS DE TRAIÇÃO POSSUÍDOS POR AMBIÇÃO

O tempo passava lentamente na fazenda dos Lancartos; era como se a Terra tivesse parado de girar para os boias-frias. Todos tinham o aspecto de famintos e desnutridos, as poucas horas de descanso e as péssimas alimentações que lhes eram servidas os debilitavam e os transformavam em seres submissos ao patrão; estavam sem forças para reagir. Por mais que Chacon trabalhasse, ele e a sua mulher não viam como sair daquela situação. Se o país não mudasse de direção com urgência, nada mais seria acrescentado às suas vidas, jamais conseguiriam quitar suas despesas com alimentação. Suas roupas eram como de presidiários em campo de concentração, e cada vez mais ficava devendo ao patrão criando assim uma divida impagável, assim como os outros trabalhadores.
Os capatazes da fazenda os vigiavam dia e noite, como se fossem prisioneiros de guerra. Chacon, usando o codinome José, mantinha acesa sua chama de desejo da liberdade. Nos encontros na igreja, semestralmente, mantinha contato com as forças de oposição, ou nas festas do padroeiro do país, quando eram organizados em grupos pelos capatazes, colocados em carroças e levados em caravanas à cidade por duas horas para ouvir o discurso de Don Lancarto e tirar fotos para o seu jornal. Essas fotos eram publicadas na primeira página, como se o povo apoiasse seu governo e fosse feliz. Outros encontros com os opositores também se dava nas duas missas anuais que lhes eram permitidas pelo patrão, onde se dava o encontro com o padre Francesco, que os comunicava das mudanças ocorridas no país.
Chacon escrevia trechos dos folhetos, que se propunham a levantar o ânimo do povo, que eram entregues ao padre Francesco clandestinamente, deixados debaixo dos bancos da igreja para serem recolhidos após as missas. Chacon começava os textos lembrando o povo de San José, para manter acessa a esperança de dias melhores, e convocando o povo a resistir ao clã. Os textos eram impressos pelo padre durante a noite, colados em bancos da praça, em prédios públicos, divulgando que Chacon estava vivo e ativo. Levados pelo padre Francesco escondidos dentro de livros da igreja, os panfletos eram distribuídos por todo o país, pedindo apoio à causa.
Os anos passaram, e Venâncio se tornara um jovem forte. Apesar do pouco estudo que tivera, se mostrava inteligente, era simpático e extrovertido e mantinha o bom relacionamento com a família Lancarto Aranha. Ele estava absorvendo e se desenvolvendo com os conceitos ideológicos absorvidos pela convivência com a família Lancarto, o que deixava o seu pai receoso e preocupado com o futuro e a segurança. Chacon começava a achar que seu próprio filho poderia estar se transformando em um inimigo ideológico, e não confiava conversar certos assuntos na sua frente com Mercedes; isso se tornara perigoso. Chacon se limitava a conversar assuntos corriqueiros, não abordando nada que se referisse ao movimento, e mesmo quando Venâncio se mostrava interessado, ele desconversava. Para Chacon, seu filho fora abduzido por algo fora do seu controle, já estava possuído, e havia o real perigo naquela amizade que seu filho desenvolvia com o patrão e principalmente com seu filho, cinco anos mais velho do que ele. Os dois cresciam juntos na casa da fazenda.
Venâncio se tornara o auxiliar direto de Lancarto, que o ensinara a montar e a cuidar dos animais. Lancarto estudava fora da fazenda, pois seu pai construíra um colégio somente para estrangeiros de origem inglesa na capital de San José de Talvegue. Os finais de semana ele passava na fazenda.
Os pais de Venâncio continuavam prisioneiros, sem opção de fuga. O país estava dominado pelo clã que mantinha o regime de terror. O fato de viverem na casa comunitária com outros trabalhadores rurais deixava Venâncio revoltado e sempre culpava os pais pela situação. Mas Chacon, percebendo que ele não poderia mais escolher seu próprio futuro, conversava diariamente com ele, aconselhando a nunca comentar o seu passado, muito menos o da família, pois isso colocaria seu futuro e a vida da família em risco. Eles sabiam que a família Lancarto continuava financiando o extermínio da luta armada opositora do regime governamental implantada por eles por todo o continente.
Don Lancarto agora contava com o apoio de grupos externos disfarçados de empresários interessados nas riquezas minerais. Chacon e Mercedes sofriam calados, percebendo nitidamente que seu filho havia crescido com outra visão do seu país. Venâncio reverenciava com frequência a família Lancarto, não se importando com suas conquistas sanguinárias.
Em um domingo, dia primeiro de maio de 1936, Chacon descansava na sombra da soleira da casa comunitária, enquanto sua mulher costurava um remendo em sua camisa de trabalho. Há mais de um ano eles não recebiam uma peça nova de roupa, e esse era o quarto remendo feito na mesma camisa.