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São minhas palavras perpetuando histórias. Revivendo as memórias de coisas que nunca vi. São minhas palavras que criam esse mundo misterioso, do real ao ficcional. COSTA, JOÃO. MEU PENSAR , CONTOS , PROSAS E POEMAS 2 (02) . Edição do Kindle.

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Fiz da minha vida a arte de viver.

Bem antes de tomar consciência da minha existência na vida, o meu mundo era incompreensível, complexo e inconstante. E era nesse cotidiano em ebulição que eu me via como um ser vivendo preso em um quadro abstrato de cores fortes e pinceladas confusas e de difícil compreensão. Mas, com o passar do tempo, a arte da vida criou movimentos de expressões mais claras aos olhos de um observador atento ao seu cotidiano turvo e inexorável. Foi somente ao longo dos anos que esse labirinto de cores fortes e desconexas foi se dissipando e se revelando. Com o tempo descortinei que havia outro universo paralelo à minha espera, pois nada havia mudado nesse contexto existencial. O diferencial entre esses dois universos estava na mudança do meu modo de interagir, de ver e de pensar. Foi nesse ponto crucial que passei a sentir e compreender em minha mente de jovem, ainda imaturo, que essa era a realidade do mundo em que vivia. E foram esses mesmos borrões de cores e linhas, supostamente confusas, que, ao invés de me consumirem, se tornaram a minha fonte de experiências, me permitindo a formação de conceitos e alimentando o mote de possíveis inspirações

terça-feira, 21 de novembro de 2023

O MENINO QUE QUERIA VOAR.

comemorar boas colheitas e trocar tostões de prosa e contar suas aventuras deveras mirabolantes, sempre regadas a boa pinga da roça, produzida no alambique da fazenda Maravilha. Cada prosador, no seu tempo, tinha o direito de expor suas aventuras e prosas sem interferência alheia, pois haviam estabelecido um código de crendice entre eles, que se perpetuou desde o tempo do império, com o aval auspicioso do João Gouvêa. Este creditava o sucesso das vendas do seu armazém à magia do lugar. Os contadores de história ficavam envolvidos pelo público ávido por novas fábulas. Eles se acotovelavam por um lugar na roda que se formava pela plateia, em volta dos ilustres membros notívagos, sentados em número de doze, em uma grande mesa de madeira rústica. Como se fossem os cavaleiros da Távola Redonda, os prosadores permaneciam por horas a fio degustando linguiças, torresmos e chouriços, regados à cana-caiana e pinga da roça. A plateia não arredava o pé do lugar, hipnotizada pelos relatos mirabolantes. Envaidecidos, eles seguiam entusiasmados, contando suas fábulas e supostas falácias e aventuras. Zé Queiroga gostava de narrar a sua experiência com os espíritos dos escravos da fazenda Maravilha, que durante um século guardaram potes de ferro repletos de pepitas de ouro que eles achavam nos rios da região e escondiam dos seus senhores engolindo-as. Posteriormente, eles as defecavam em caldeirões de ferro e enterravam nos arredores da senzala, pensando um dia poder usar a riqueza camuflada junto aos seus dejetos secos para comprarem sua liberdade. João Manoel da Costa jr. REVISADO ANTOLOGIA DE JOÃOM.C.Jr VOLUME Meu Pensar. 2 (Locais do Kindle 556-559). Edição do Kindle.
João Manoel da Costa jr. REVISADO ANTOLOGIA DE JOÃOM.C.Jr VOLUME Meu Pensar. 2 (Locais do Kindle 546-556). Edição do Kindle.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

CONTOS PROSAS E POEMAS.

MEU TEMPO ​Vi, o tempo passar como água corrente. ​Vi, a vida fluir lentamente, como gotas de orvalho no campo, que vão dissipando ao vento. Vi o mundo girando e o vento soprando e alguns sonhos  sendo levados,  para bem longe, carregando consigo as  amarguras da vida. Vi, o tempo decompondo os traços abstratos de quadros inacabados. Vi, o tempo refazendo os compassos, nas trilhas tortuosas da partida. Vi, o tempo reescrevendo sobre as feridas deixadas, nos sulcos das terras arrasadas, de cicatrizes esquecidas.  Vi, o tempo através do espelho refletindo pessoas aflitas, querendo ter a certeza que depois da morte, há vida. Vi, no tempo e nas sombras da noite o ardil das incertezas, a rondar minha mente e tentei me abrigar no refúgio da solidão, cercados de murros de lamentações. Vi, o tempo em que acordei com a sutileza do som, de despertar para vida. Vivi assombrado pelos medos de ser possuído pelos desejos que atormenta a mente da gente, no apagar da luz dos sonhos presentes em nossas convictas incertezas. Vi, no tempo o diluir da minha alma a procura do paraíso e da calmaria que alimenta e verbera esse pensar. Vi, no tempo o soar da voz da razão, e segui correndo contra os mistérios que ameaçava meu despertar. Mas, vi que a vida era efêmera e segui procurando e não lutando contra o tempo, mas, lutando contra as nuvens de tormenta para um novo tempo de luz da manhã de sol, que ilumina a razão da vida no inusitado e feliz despertar. *** COSTA, JOÃO. MEU PENSAR , CONTOS , PROSAS E POEMAS 2 (02) (Portuguese Edition) . João Manoel da Costa Junior. Edição do Kindle.

terça-feira, 31 de outubro de 2023

NATUREZA MORTA.

MEU PENSAR CONTOS PROSAS E POEMAS.

A ORIGEM. Nasci no beco, sem saída, e dá viela, vi a janela, pra vida. Criei asas na imaginação, sem pensar na solidão dessa vida. Forjei nas sombras, a luz da vida, em passos lentos curei feridas. Reguei minhas plantas com suor e lágrima, da esperança surgiu a outra vida. Brotei em campos, semeando amor, despendido de sofrimento e dor. Sou a flor do cerrado, o rio açoreado de um tempo de confronto, onde caminhei concentrado entre seres desnorteados, que viviam em um mundo devastado. Sou um terço da senzala um terço de ameríndios, um terço de caucasiano, e cem por cento da mistura que criou essa criatura, de pele clara pele escura. Cresci descalço pisando em terra clara, vermelha ou terra escura, onde desalojados descansam corpos, de vidas duras. Andei onde as nascentes formam os rios serenos que se transformam em corredeiras ferozes . E, vivenciei entre as amarguras de almas perdidas que correm sempre em busca dessa nascente que alimenta a fonte da vida. Cresci cheio de esperança, mas, no tempo de discórdias. Criei asas e alcei voos ao fugir, as regras estabelecidas e, me consenti viver a ternura perdida. João Manoel da Costa jr. REVISADO ANTOLOGIA DE JOÃOM.C.Jr VOLUME Meu Pensar. 2 (Locais do Kindle 61-67). Edição do Kindle. João Manoel da Costa jr. REVISADO ANTOLOGIA DE JOÃOM.C.Jr VOLUME Meu Pensar. 2 (Locais do Kindle 57-61). Edição do Kind

sábado, 28 de outubro de 2023

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME

Nas ruas, por sua vez, a tranquilidade pode ser duradoura nas fortalezas das classes do poder, nos seus carros blindados e pela garantia dada por seguranças particulares. Esse antagonismo demonstra de forma desumana dois extremos vivendo na cidade e tal paradigma determina o modelo conceptual equivocado vivido e fora de controle.Extrapola-se o bom senso e algumas retaliações aos bandidos são proporcionadas, que excedem suas fronteiras e atacam pessoas ilustres em demonstração de força. A consequência é que o véu da beleza que cobre a bela cidade banhada pelo Atlântico Sul e de clima tropical, que contagia a todos que a visitam, às vezes cai. Em contrapartida, verifica-se uma realidade cruel do outro lado da cidade, longe dos holofotes da mídia e do olhar de muitos. MC Jr., João. Jogo Sujo: Cidade do Crime (Portuguese Edition) . Ponto Vital. Edição do Kindle.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Acaso do Destino.

Karen dizia para confortá-la: “Existem razões que a própria razão desconhece, portanto, amiga, tudo é possível nesta vida”. Maria continuava pensativa, querendo entender que tramoia do destino pôde produzir tal evento. Depois de se recompor, ela entrou de novo na casa e percebeu que eles não tinham conhecimento dos outros filhos seus. Depois de mais alguns detalhes, eles lhe pediram uma amostra de sangue. Sem relutar, Maria deixou que tirassem seu sangue. Posteriormente, eles lhe deixaram uma passagem para que ela pudesse viajar para o Rio assim que quisesse. Maria ainda não havia assimilado todo esse inusitado contato. Ela havia passado todo esse tempo imaginando e desejando que um dia pudesse ter um encontro com seus filhos. Pensou em todas as possibilidades, mas o destino lhe reservara algo muito além da sua imaginação. Feliz da vida como nunca sonhara, não sabia se deveria rir de alegria ou chorar de emoção. O mundo havia lhe ensinado da forma mais rude e cobrado um preço alto muito cedo, mas lhe ensinara como sobreviver na selva da vida. A

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

OS USURPADORES.

OS USURPADORES. 
TRECHO DO LIVRO. 
“Muito prazer venho em nome do meu país para uma visita de negócio.” O chefe da Yard encaminha-se até a porta do carro e diz: “Deixa eu me apresentar primeiro, senhor, meu nome é Thomas Spader Terceiro, diretor chefe da Scotland Yard, e filho de Thomas Spader, e o senhor é Charles Lancarto?” Pergunta o diretor da Scotland Yard. Lancarto responde de forma apressada e em tom bem alto tentando convencê-los de que estavam equivocados, diz: ​“Não senhor, meu caro diretor, eu sou Don Lancarto, dono das minas de minério de ferro que Londres tanto precisa nesta hora crucial, este é o motivo da minha visita a Londres”. Lancarto pensara que com essas colocações ele iria sensibilizar as autoridades londrinas e que o Rei Jorge VI perdoaria seu crime do passado pelas causas do presente. Thomas Terceiro olha bem nós seus olhos e diz: ​“O senhor não faz ideia de como agimos aqui na Inglaterra, pelo tempo que passou refugiado em outro país já esqueceu que aqui os crimes não prescrevem jamais, uma vez preso, com certeza o senhor será condenado a passar o resto da sua vida na ilha do diabo ou à forca pela morte de Lorde Thomas, isto eu lhe garanto, aqui não é San José de Talvegue, que o excelentíssimo ex-presidente comandava com mãos de ferro, aqui o senhor não comandara nem o seu banheiro”. Lancarto tenta argumentar que o seu contrato de fornecimento de minério estaria cancelado caso ele ficasse detido

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

O GRANDE ASSALTO O DECLÍNIO DO PODER.

JOÃO MC.JR O GRANDE ASSALTO O declínio do poder _________________________________ Junior, João Manoel da Costa O Grande Assalto: declínio do poder ISBN: 978-85-910454-2-6 1.Literatura Brasileira.1.Título CDD B869 _____________________________ SÍNTESE Este conto policial, foi inspirado por esse universo nebuloso que vivemos entre a percepção da realidade, e o universo ficcional inserido ao cotidiano desta cidade. Foi esse o ponto contraditório entre a realidade que mais se assemelha a ficção dos filmes em cartaz, que se fundem de forma explicita nos noticiários jornalísticos periódicos que  fazem com que as pessoas percam a noção do que é real ou ficção no seu cotidiano, e muitas das vezes sem coragem de encararem a realidade, preferem fechar os olhos ao que existe de fato, não enxergando as milhares de mortes oriundas desse caos urbano mascarado do forma sutil. Esse foi o ponto inicial do meu conceito para ir direto à abordagem. A forma como se desenvolve a trama, procura ser coerente com o pensamento do autor, não seguindo nenhuma forma preestabelecida. Os nomes dos personagens não procura retratar nenhum caso específico, nem se baseiam em pessoas reais. Somente fragmentos do cotidiano servem ao tempero da ação. Elementos de pesquisa todos os dias batem à nossa porta, saltam aos nossos olhos, essa foi a forma que estabelece a dinâmica da narrativa que compõem os elementos que dão vida aos personagens com seus conceitos moral e imoral da história que retrata esse mundo realístico e ficcional. Este é um país em que a inteligência dos bandidos não se faz tão necessária, devido ao alto grau de corrupção e corporativismo. O nosso cotidiano é um laboratório, cheio de elementos, personagens, algo que une o imaginário e o real. João M C Jr

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Acaso do Destino.

ACASO DO DESTINO

Ele estava meio confuso com toda aquela sensação de que já a conhecia, enquanto ela o olhava com ternura e com os olhos cheios de lágrimas. Depois de alguns minutos, ele tomou coragem e lhe perguntou o porquê da sua visita. Maria se recompôs e resolveu contar sua história. Mal ela iniciou seu relato e ele foi tomado por uma emoção muito forte, já convicto de que estava recebendo sua mãe verdadeira. Ele não teve dúvidas e, percebendo que a história seria longa, José a convidou para irem até sua casa, que ele herdara dos seus pais adotivos. Depois de alguns minutos de carro, José chegou ao bairro da Tijuca, no apartamento onde fora criado. Lá, Maria pôde revelar toda sua trajetória de vida, reconhecer as fotos do seu pai e sua mãe adotiva. Ela, com muito custo, teve a coragem de dizer a Francisco que ele tinha mais dois irmãos. José a abraçou e chorou pela primeira vez, abraçado à sua verdadeira mãe. Por mais de meia hora eles se acariciaram. A revelação de que ele era irmão de Marcos Albuquerque o deixou extasiado.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

ACASO DO DESTINO.

Visão geral do livro

Por mais que pensemos ter o controle de nossas vidas, temos que admitir que vivemos ao acaso do destino. Inúmeros fatos comprovam essas evidências, e nem sempre podemos evitá-los ou interrompê-los, pois há um mundo desconhecido à nossa espera, onde tudo se revela com o passar do tempo. Há também um ditado que diz: “A vida dá muitas voltas”, ou seja, provavelmente nos proporcionará momentos inesquecíveis e inesperados, e pode nos levar ao abismo ou nos arremessar ao topo. É inevitável esse embarque nessa roda-viva da vida, para essa viagem a esse universo desconhecido. Mas não sabemos o seu rumo ou quantos giros teremos que dar. E, gostando ou não, todos nós estaremos nesse passeio inusitado, na roda da vida, pois é nessa viagem no tempo que o destino às vezes pode nos proporcionar respostas fantásticas e gratificantes, em nossa existência ou de outrem. Nesse universo misterioso em que vivemos, todos os dias acontecem eventos, previsíveis ou não, que sempre mexem com nossos sentimentos, que podem ser de felicidade ou de tristeza, mas, em qualquer das hipóteses, sempre estaremos questionando-os. E inevitavelmente algumas perguntas ficarão no ar, para sempre ou momentaneamente, sem respostas. Haverá sempre uma tentativa de análise pelas pessoas envolvidas nessa trama da vida que procuram as razões dos fatos

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Sou livre.

SOU LIVRE. 
Sou livre, e busco em cada esquina encontrar o amor ,não o amor só meu, mas o amor de todos os seres que encontrar pelo caminho, libertos das amarras dos donos  da opressão, e também daqueles que necessitam de um abraço fraterno, acompanhado de um sorriso de esperança . E em cada  esquina que dobrar pelo mundo sentir  que o amor encontra-se dentro de cada um que passar por mim. E na reta que vier a seguir,  encontrar o pleno direito da liberdade de ir e vir, e  de expressão. E sentir dentro do meu  peito pulsar a esperança de um mundo melhor ao perceber que  haverá solidariedade pelo caminho. 
JOÃO MC.JR. 
PROSAS CONTOS E POEMAS.

sábado, 2 de setembro de 2023

OS USURPADORES.

Junior, JOÃO MC.. OS USURPADORES (01) (pp. 66-67). JOÃO COSTA. Edição do Kindle. CAPA DURA
OS USURPADORES. TRECHO DO LIVRO.Venâncio estaciona o carro debaixo de uma das árvores do pomar de mangueiras, o farol do carro ilumina uma porta de ferro com cadeado, ninguém na casa vem recebê-los, ele percebeu que todo o resto da casa estava às escuras, o que não era normal. Geralmente os empregados recebiam o patrão fosse a hora que fosse, pois eles estariam de plantão. Lancarto salta do carro segurando uma maleta. Na ânsia de saber o que poderia acontecer dali para frente Venâncio pergunta pelos outros membros da família: “Todos os outros estarão aqui esta noite?”. “Não se preocupe, Venâncio, quando você cumprir sua missão todos se reunirão a sua volta para sacramentar sua aceitação.” E ainda disse: “Eu sou o iniciador da sua aceitação, seu padrinho mor esta noite”. Junior, JOÃO MC.. OS USURPADORES (01) (pp. 66-67). JOÃO COSTA. Edição do Kindle. CAPA DURA Lancarto abre a porta, uma única luz de vela ilumina o quarto escuro e sombrio, Lancarto entra primeiro, no fundo do quarto dois sacos de algodão manchados de barro vermelho estão amarrados com cordas, pelo formato parecem conter corpos de seres humanos inertes, uma mesa de madeira rústica e seis cadeiras decoram o local, na estante de alvenaria e madeira vários livros grossos de cor negra ornamentam as prateleiras com bolas de cristal e cruz de ferro, um brasão da família adorna a parede, ele tem como símbolo uma aranha com um rubi adornando o seu dorso, uma torre e dois punhais cruzados rasgando o brasão. Venâncio já não sente mais o mesmo medo de antes, somente um zumbido toma conta do seu ouvido esquerdo, Lancarto lhe oferece outra taça de licor de cor barrenta, ele bebe desta vez sem perguntar nada.  Lancarto manda que ele sente-se à mesa, coloca uma taça com o licor, que Lancarto bebe de frente para os dois sacos. Inicia-se um ritual. Com olhar fixo em seu rosto Lancarto o rodeia com duas cruzes de ferro nas mãos Junior, JOÃO MC.. OS USURPADORES (01) (p. 67). JOÃO COSTA. Edição do Kindle.

terça-feira, 29 de agosto de 2023

OS USURPADORES.

Lancarto segura Venâncio pelo braço, tentando passar alguma energia para ele que continuava aparentemente desanimado e diz: “Com certeza seus pais estão bem, é bom se acalmar porque hoje será seu grande dia, o dia do batismo, aquele que eu sempre falei que um dia chegaria pra você.” Diz ainda: “A partir de hoje você se tornará um cúmplice da família, um parceiro pra todas as horas.” “Mas não podia esperar até amanhã?” Responde Venâncio meio cabisbaixo. ​“Não, Venâncio! O batismo tem que ser no meio da noite, de supetão, sem que haja preparação, só assim tem valor.” ​Venâncio tinha sido preparado sistematicamente durante meses, mas não sabia que seria daquela forma, isso o deixara fora de ordem, Lancarto percebe que Venâncio estava indeciso, chegando a tropeçar nas próprias pernas. Ele diz: “Posso pegar meu chapéu, esta noite está muito fria, especialmente hoje”. ​“Claro, pegue o que você quiser, eu espero.” Diz Lancarto batendo em suas costas. ​“Não vou demorar, Lancarto.” ​“Vá lá, homem, eu espero, temos a noite toda pela frente.” Junior, JOÃO MC.. OS USURPADORES (01 Livro 1) (Portuguese Edition) (pp. 63-64). JOÃO COSTA. Edição do Kindle.
Junior, JOÃO MC.. OS USURPADORES (01 Livro 1) (Portuguese Edition) (p. 63). JOÃO COSTA. Edição do Kindle.

domingo, 27 de agosto de 2023

ACASO DO DESTINO.

ACASO DO DESTINO. 
Hipótese.
 Ao abordar esse tema tão aparentemente complexo, surgiram algumas perguntas  na mente do autor: Nesse romance poderíamos ter começado com uma pergunta   para aqueles que não gostam de surpresas na vida, independente do momento obscuro que estivessem vivendo ou teriam de passar. Provavelmente muitas pessoas não temeriam e seguiriam em frente aguardando o que estaria por vir. Em caso negativo, muitos descrentes talvez tivessem a coragem de seguir em frente, e não dariam muito crédito às previsões supostamente desfavoráveis, portanto não apostariam em um futuro adverso, caso lhes fossem revelados desfechos ou eventos catastróficos. Confiantes na sua capacidade de reverter o improvável, não entrariam em pânico, pois certamente fariam o possível para uma mudança de rumo que os favorecesse no futuro, caso contrário talvez tomassem medidas drásticas em suas existências. Conclusão. As respostas para essa pergunta seriam diversas. Por consequência desses desfechos, o que muitos céticos não aceitam é que o destino, por ter livre-arbítrio, às vezes pode muito bem assumir o poder de trapacear a seu favor, seja por merecimento ou por você estar no lugar certo na hora certa, ou no lugar errado na hora errada. Alguém pode tentar mudar o seu destino. Você pode ser escolhido ao acaso, só por ironia do destino. O desenrolar das histórias provam que todas as possibilidades são válidas e, independente da origem dos fatos, alguém sempre poderá ser favorecido por acaso ou por ironia do destino.
E-BOOK. 
Livro Físico. 

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Acaso do destino.

ACASOS DO DESTINO . PREFÁCIO. Por mais que pensemos ter o controle de nossas vidas, temos que admitir que vivemos ao acaso do destino. Inúmeros fatos comprovam essas evidências, e nem sempre podemos evitá-los ou interrompê-los, pois há um mundo desconhecido à nossa espera, onde tudo se revela com o passar do tempo. Há também um ditado que diz: “A vida dá muitas voltas”, ou seja, provavelmente nos proporcionará momentos inesquecíveis e inesperados, e pode nos levar ao abismo ou nos arremessar ao topo. É inevitável esse embarque nessa roda-viva da vida, para essa viagem a esse universo desconhecido. Mas não sabemos o seu rumo ou quantos giros teremos que dar. E, gostando ou não, todos nós estaremos nesse passeio inusitado, na roda da vida, pois é nessa viagem no tempo que o destino às vezes pode nos proporcionar respostas fantásticas e gratificantes, em nossa existência ou de outrem. Nesse universo misterioso em que vivemos, todos os dias acontecem eventos, previsíveis ou não, que sempre mexem com nossos sentimentos, que podem ser de felicidade ou de tristeza, mas, em qualquer das hipóteses, sempre estaremos questionando-os. E inevitavelmente algumas perguntas ficarão no ar, para sempre ou momentaneamente, sem respostas. Haverá sempre uma tentativa de análise pelas pessoas envolvidas nessa trama da vida que procuram as razões dos fatos. Para muitas pessoas o nascimento de uma criança é uma dádiva do céu, desde que seja perfeita, sadia e não bastarda. Ficamos estarrecidos quando alguém morre de forma prematura ou trágica, e surgem muitos questionamentos e uma pergunta costumeira “por quê? Seriam essas pessoas vítimas da casualidade, ou simplesmente estariam aguardando a mão do destino? Todavia, todos os dias milhares de pessoas escapam de acidentes ou de violências urbanas. Também todos os dias pessoas são agraciadas por prêmios ou heranças que mudam suas vidas para melhor. Predestinação, sorte ou desígnio. Essas determinações, substantivos e adjetivos se entrelaçam e se completam. Tudo isso tem um preço, tudo isso tem certo mistério que intriga a mente de todos seres humanos. MC.JR, JOÃO . ACASO DO DESTINO (Portuguese Edition) (pp. 2-3). JOÃO MC .Jr. Edição do Kindle. MC.JR, JOÃO . ACASO DO DESTINO (Portuguese Edition) (p. 2). JOÃO MC .Jr. Edição do Kindle.

domingo, 20 de agosto de 2023

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME Um dia qualquer no bairro Marrom, Rua da Urtiga, às 17 horas O dia está chuvoso e com nuvens negras que cobrem o céu numa tarde sombria de ar fúnebre. Relâmpagos riscam o céu e trovoadas ecoam e provocam alteração ruidosa nas ruas do bairro Marrom, mas nem mesmo o alagamento provocado pela chuva dissipou o cheiro de pólvora nos guetos do bairro e tampouco lavou a rua do sangue escorrendo pelos ralos. Somente os relâmpagos e as trovoadas amenizaram o barulho dos tiros da tarde, embora os moradores, habituados a essa rotina e com os ouvidos aguçados, sabiam distinguir muito bem as rajadas de balas das trovoadas e dos relâmpagos. Eles não se aventuravam a sair de casa nem que estivessem passando muito mal, pois o risco de morrerem pelo mal atendimento que teriam no posto de saúde local era aumentado pelas milhares de balas perdidas que cruzavam o céu e transpassavam suas frágeis paredes domésticas.

terça-feira, 8 de agosto de 2023

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME. Dois formatos.

JOGO SUJO CIDADE DO CRIME. “Os grandes pensadores como Aristóteles já falavam da ética em sua Física, afirmando que a função natural do homem é raciocinar bem e raciocinar bem é raciocinar em consonância com a virtude. Portanto, a ética de Aristóteles se concentra no caráter do agente como aquele que é bom ou moralmente mau. Essa é a chamada ética da virtude.” Muitos proeminentes cidadãos de Rio de Rosário se questionariam caso soubessem das intenções de Malone. As duas perguntas prováveis seriam estas: “Por que um delegado, bem-sucedido e no final de carreira, tem tais preocupações e seu conhecido pudor e idealismo com a ética? Por que ele coloca sua vida em risco quando mais fácil seria simplesmente aposentar-se e levar todas as suas condecorações por bons serviços prestados, usufruindo da natural tranquilidade do ócio sem os fantasmas dos inimigos seguindo seus passos?”. Na atual conjuntura é quase incompreensível tal posicionamento, talvez sendo mais fácil entender suas convicções se pudéssemos invadir seu cérebro e penetrar nas entranhas dos seus pensamentos. Assim poderíamos saber como se forma um caráter e conhecer seus conceitos, sua forte chama ética e, consequentemente, seus princípios morais e suas virtudes. Mas ao agir com sua sabedoria, senso de justiça, coragem, moderação e lucidez, isso permite a Malone avaliar e concluir que sua luta é inglória contra os valores pervertidos. Em suas reflexões ele chega à conclusão de que, nos dias atuais, a chama ética da virtude se perde no universo nebuloso em que vivemos. Entre a percepção da realidade e o universo ficcional inserido no cotidiano desta cidade, tudo é possível e pode-se afirmar que o princípio básico da ética está em um conceito que foi deixado de lado: a vergonha. Desprovidas dessa moral, as pessoas não se deixam formar conceitos éticos dentro de si e, sem tal excelência, não se deixam inserir nos princípios básicos de outras virtudes. Os sem-vergonha não têm medo do malfeito nem da cretinice e os indignados da cidade, enquanto isso, ficam perplexos e não entendem por que os sem-vergonha são tratados com certa benevolência e até são classificados carinhosamente por seus pares e por parte da sociedade educada de caras de pau – e muitas vezes considerados, pelos intelectuais analistas do comedimento humano, meros doentes mentais portadores de desvios de condutas. Como diz o delegado Malone: “Já presenciei muitos bandidos, assassinos e corruptos praticarem barbaridades e mudarem sua personalidade na frente do juiz, usando artimanhas e se passando por loucos ou paraplégicos para escaparem de sentenças maiores”. Seja de que forma sejam considerados, fica no ar esse sentimento profundo e desagradável da depreciação do juízo e percebe-se nestas pessoas que a falta do sentimento do medo, relacionado ao receio da desonra, foi perdido. Tal deplorável constatação deixa-nos atônitos e conclui-se que a chama ética se apagou. MC Jr., João (2015-05-26T22:58:59.000). Jogo Sujo: Cidade do Crime (Portuguese Edition) . Ponto Vital. Edição do Kindle

sábado, 5 de agosto de 2023

O MENINO QUE QUERIA VOAR

Em um domingo alvissareiro de 1949, às sete horas da manhã, na estrada de Maravilha, as dormideiras acordavam com os primeiros raios de sol que penetravam entre os galhos do pé de mulungu, onde as maritacas faziam algazarra, acordando o dorminhoco tatu-canastra, que repousava em sua toca, abaixo do campo de cereais, aparentemente exausto, depois de uma cansativa noite de caça. Os gaviões faziam voos rasantes, tentando pegar calangos, que saíam das tocas em busca do calor do sol na pequena formação rochosa. Longe do perigo, em uma frondosa castanheira, a juriti-gemedeira ajeitava seus ovos no ninho, protegendo suas futuras crias. Um pouco mais acima do Morro do Fama, na mata fechada, com sua preguiça costumeira da manhã, a onça-pintada descia do tronco da peroba, afiando as suas garras e iniciava sua jornada de caça matutina às capivaras, à beira do rio. Como de costume, seus obstinados moradores já estavam na estradada ao alvorecer. Alguns recolhiam jenipapos, a fim de produzir licores fortificantes para ajudar aos menos afortunados no combate à tuberculose, que se alastrava na região. Os que se sentiam abençoados estavam arrumados com as suas melhores roupas e rumavam em direção ao lugarejo chamado Maravilha. Por esse motivo, o trânsito de charretes e cavalos, descendo o Morro do Fama, em direção a uma pequena igreja congestionava a precária estrada. Mesmo com todo cuidado, os hábeis condutores de charretes não evitavam alguns acidentes com seus cavalos, que deslizavam no barro vermelho. O estado calamitoso era devido à chuva da madrugada e aos sulcos deixados pelo intenso tráfego de carros de boi no dia anterior, transportando leguminosas e hortaliças em direção ao centro de Paty do Alferes. Tudo estava quase intransitável. Neste domingo, a maioria dos moradores dirigia-se para a única congregação num raio de dez quilômetros. Para os membros desta irmandade, o domingo era o dia de regozijar e agradecer as dádivas concedidas aos moradores que sobreviveram e resistiram, com tenacidade, a uma grande seca. Esta culminou com incêndios inusitados em algumas fazendas de cana-de-açúcar, alguns meses antes, dizimando animais e acabando com as lavouras de café, não poupando o pequeno agricultor que, nesse momento, tentava manter a vida no seu rumo. Estavam reunidos para agradecer a Deus e felizes por poderem voltar a plantar após a recuperação das terras arrasadas. Contavam com a fé para reverter os percalços e com o milagre da natureza, que voltaria a dar o exemplo da sua força, mantendo a ordem natural das coisas no pequeno lugarejo situado abaixo do Morro do Fama. No caminho que levava à entrada da igreja, uma bem cuidada alameda de flores, com margaridas, rosas vermelhas e brancas e hortênsias, exalava seu perfume e coloria o caminho que conduzia as pessoas até o portal do templo. M.C. Jr., João. O menino que queria voar (Portuguese Edition) . SG Leitura Digital. Edição do Kindle.