#ESCRITOR#João MC.jr Arte e Vida# São minhas palavras perpetuando histórias. Revivendo as memórias de coisas que nunca vi. São minhas palavras que criam esse mundo misterioso, do real ao ficcional. COSTA, JOÃO. MEU PENSAR , CONTOS , PROSAS E POEMAS 2 (02)KindleJoão Manoel da Costa Junior. Edição do Kindle.
Quem sou eu
- #ESCRITOR#João.mc.jr arte e vida#
- São minhas palavras perpetuando histórias. Revivendo as memórias de coisas que nunca vi. São minhas palavras que criam esse mundo misterioso, do real ao ficcional. COSTA, JOÃO. MEU PENSAR , CONTOS , PROSAS E POEMAS 2 (02) . Edição do Kindle.
sábado, 9 de julho de 2016
TRAPAÇAS DO DESTINO CAUSA E EFEITO
TRECHO DO LIVRO
Ele já tinha sua própria casa e com trinta anos se casara
com uma mexicana, meio hippie, chamada Dolores Ortega.
Mas a alegria da sua mãe não foi completa. José estava
com
uma aparência que não a deixou feliz: barbudo, com cabelo
longo e dentes amarelados, sendo sintomas de certo
desleixo ou
de muita droga. Apesar de muito carinhoso e aparentemente
e Elena Temia pelo pior. A mãe não falou nada com ele
para
não estragar a sua alegria de revê-lo e simplesmente
pediu a
Augusto que procurasse conversar com ele, mas Elena sabia
que Augusto não seria bem-sucedido por admirá-lo muito e
por ter conseguido ser o roqueiro que ele não fora com
certeza
ele não tocaria no assunto das drogas, pois só se
interessava
pelas músicas do filho, em que se projetava e se via
realizado.
Depois de voltarem ao Brasil, alguns anos se passaram, e
eles ficaram sem contato pessoal com José, que
eventualmente
escrevia uma carta ou mandava um cartão de aniversário
para
ambos. Augusto e Elena tinham sempre notícias do filho,
mas já se passavam três meses sem que eles se falassem, e
seu
telefone não atendia, nem sua mulher mexicana estava em
casa quando ligavam. Muito preocupados, eles resolveram
viajar de volta aos Estados Unidos.
Ao chegarem à casa de José em São Francisco, na
Califórnia, encontram o lugar vazio. Por muito custo, o
localizaram em um hospital internado em estado
calamitoso,
pois ele sofrera uma overdose de L.S.D, e sua esposa o
abandonara sozinho no hospital.
Os médicos os aconselharam a trazê-lo de volta para o
Brasil, e imediatamente seus pais entram em contato com a
embaixada para saber se poderiam trazê-lo de volta e se
não
haveria nenhum empecilho político para sua pessoa que
estava exilada. Depois de regressar dos Estados Unidos,
José
recuperou-se após um ano de internação em uma clínica.
Meses depois, ele voltou a tocar, e agora, sem uma banda
própria, tocava em boates na zona sul. Entre altos e
baixos,
tentava viver cada dia como se fosse o último.
31/12/1996. Em uma clínica na zona oeste da cidade,
José Augusto, quarenta e cinco anos, está internado numa
clínica
de reabilitação
Pela vigésima vez, seu pai, Osvaldo, médico aposentado,
e sua mãe, Elena professora aposentada, tentaram
recuperá-lo
de uma overdose
de cocaína. Aquela internação estava
consumindo os últimos recursos financeiros dos seus pais,
que, aos setenta anos, já haviam vendido tudo o que
tinham
na tentativa de recuperar sua dignidade e salvar sua vida
antes
que eles se fossem deste mundo, pois sabiam que ninguém
ampararia José ou lhe daria um abrigo, sequer seus pais
não tinham mais nada o que deixar em termos de recursos
financeiro e todos seus esforços até aquele momento foram
em vão.
Ele às vezes sentia uma grande angústia, faltava-lhe um
pedaço de si. Tinha vontade de gritar para todo mundo
ouvir,
seu rock protesto falando antes de sucumbir. Escreveria suas
últimas linhas de seus pensamentos alucinados. “Vivo como
um retrato preso na parede, sou a imagens das mazelas de
vielas que frequento em busca do ópio, o desprezo da sua
própria alma, sou a sombra das guerras dos guetos pelo
poder,
prisioneiro das tardes no escuro fechado em quartos de
hotel.
Vagas lembranças surgiam amassadas em rolos de papel. Era
um pedaço podre que se despedaçava em vermelho sangue,
extraído das veias, perdido sem orgulho.
Suas alucinações ficavam bem claras ao escrever nas
paredes do quarto,
aparentemente sem
sentido . “Viajo em um mundo verde escuro,
como a selva, que
me suga, não faz mais sentido viver, pois farsas
montadas separam de mim meu outro ser.
“Sinto meu sangue correndo em outras veias longe de mim”.
Lamentavelmente
não foram muito longe suas ideias revolucionárias,
interrompidas e travadas pelos excessos. José Augusto,
tempos depois,
jogou a toalha e
despediu-se do mundo.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
TRAPAÇAS DO DESTINO CAUSA E EFEITO
TRECHO DO LIVRO. E-BOOK AMAZON ,KOBO
Hortência não admitia que a jovem fosse capaz de
qualquer reação lógica e sentenciou, como se fosse uma
vidente, capaz de prever o futuro da jovem:
– Não acredito, pode escrever o que eu estou te dizendo.
O
destino dela é certo e com certeza será o mesmo que
acontece
com todas aquelas que se oferecem para homens achando
que estarão resolvendo suas vidas da maneira mais fácil.
Vida fácil, e, quando se veem na rua da amargura, acabam
para se prostituir para eles. Escreve o que estou te
falando
Jorge: você ainda vai da de cara com ela na Lapa rodando
a
bolsinha. E não se esqueça do nosso acordo: quando Roberto
voltar da Europa, a história você já sabe – ela pegou um
trem
e sumiu, não se sabe para onde, ninguém viu. Não esqueça
Jorge: mantenha a história e você será bem recompensado.
O motorista e voltou para seu quarto e tomou um comprimido para para dormir.
O motorista e voltou para seu quarto e tomou um comprimido para para dormir.
No centro da cidade na Cinelândia às 6h da manhã
A jovem reergueu a sua cabeça, enxugou suas lágrimas
e
suspirou fundo. Parecia estar olhando os monumentos ao redor ou talvez
esperando um aviso do além para tomar uma direção, pois não conhecia nada na
cidade, para ela um mundo estranho. No entanto, não tinha a sensação de estar sozinha
devido ao grande tráfego de carros e pessoas que começava a se aglutinar ao seu
redor, vindo de todos os lados. Esse movimento de pessoas a deixava, apesar da
sua situação pouco confortável, menos desprotegida. Horas depois, ela andou
alguns metros, sentou-se no meio fio da Rua 13 de maio e por ali ficou por
quase uma hora de cabeça baixa, chorando. Depois de algum tempo, recompôs-se,
levantou-se e caminhou até suas pernas não aguentarem mais de cansaço. Por dois
dias, ela andou a esmo de um lado para outro sem um destino lógico, até que visualizou duas jovens
trajando uniformes de trabalho verde oliva com cinto branco. Ela
ficou encantada ao ver as duas moças sorrindo e aparentemente transbordavam alegrias ao saírem de um hotel à sua
frente.Pensou que ali estivesse o seu destino como funcionária,
terça-feira, 5 de julho de 2016
TRAPAÇAS DO DESTINO CAUSA E EFEITO
Simultaneamente
Às 4h30 da manhã
No bairro da Glória um jardineiro chegou à Praça Paris
e começava seu trabalho preocupado com as nuvens negras
que cobriam a cidade, pois eram um mau sinal naquela
manhã de primavera e poderiam atrasar seu trabalho. Sua
responsabilidade era manter o jardim bem conservado e
preservar o traçado e a elegância daquela praça inspirada
em
um jardim parisiense. Ele, com sua habilidade de um
artista,
esculpia figuras de animais nas plantas ornamentais e nos
pés
de fícus, usando toda sua imaginação. Orgulho do bairro
da
Gloria, a Praça Paris era uma referência no bairro desde
a
sua inauguração em 1926, em que as flores nunca deixaram
que agregava valor ao espaço em conjunto com a exuberante
estátua equestre do Marechal Deodoro da Fonseca em
bronze,
onde pombos rebeldes defecavam manchando a imagem da
ilustre figura histórica, fazendo com que o fiel
jardineiro
madrugasse para limpá-la antes da vistoria do prefeito.
Ate as
hortênsias brotavam nesse jardim tropical bem cuidado por
ele, o jardineiro fiel. Todos os dias, às cinco horas da
manhã,
ele já iniciava as suas tarefas. Começava aparando a
grama,
esmerando-se para torná-las perfeitas. Enquanto cumpria
as
suas tarefas rotineiras, ele assoviava o trecho da música.
O barquinho,
[de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli] “Dia de luz festa de sol e o Barquinho
a deslizar no macio azul do mar”, alegrando os corações dos primeiros
passantes, que sorriam agradecidos pela qualidade da sonoridade harmônica. Nos canteiros
central da praça, as azaleias coloriam o inicio do dia, enquanto pássaros
bebiam água nos chafarizes. O jardineiro dava uma pausa ao seu trabalho para
apreciar o avião da Panair pousar no Aeroporto Santos Dumont, sonhando que um
dia iria embarcar em um deles e poder levantar voo rumo à sua cidade natal no
Nordeste, onde alguém o aguardava. Enquanto ele sonhava com o seu retorno,
seguia em frente assoviando as músicas de sua predileção, que alegravam seu
coração nostálgico. Nessa mesma manhã de primavera sobre o Morro do Pão de
Açúcar, um acanhado raio de sol surgia entre nuvens sobre a baía da Guanabara e
iluminava o bondinho do Pão de Açúcar parado entre as estações. Enquanto não
amanhecia o símbolo maior da cidade, era como uma miragem sobre a montanha. A
estátua do Cristo Redentor, vista de longe, devido à neblina, parecia fechar
seus braços sobre a cidade de tanto frio. No centro da cidade, o suntuoso
Palácio Monroe rivalizava em beleza e esplendor com o Teatro Municipal, dando
valor histórico e arquitetônico à Cinelândia, onde pombos revoavam com o
despertar da cidade. O trânsito começava a fluir lentamente em direção ao centro
financeiro. Na ainda silenciosa e adormecida Av. Rio Branco, em frente ao Cine
Odeon, repentinamente o silêncio da manhã era quebrado com uma freada brusca de
um carro modelo Aero Willys de cor marrom, assustando o pequeno jornaleiro, que
caminhava tranquilamente pela calçada com seus jornais a tiracolo, anunciando
as manchetes com seu chamado peculiar “EXTRA, EXTRA”. Surpreendido pela freada
brusca, ele interrompeu seu chamado para a manchete do dia, o susto o fez
engolir as palavras que davam ênfase à sua chamada “extra, extra, bandido da
luz vermelha ataca de novo’’, quase deixando seus jornais caírem no chão. A
fumaça tomou conta do ambiente e um cheiro de borracha queimada impregnou o ar,
fazendo tossir o pequeno jornaleiro. O carro parou enfrente ao cinema Odeon,
que exibia o filme 007 contra o Fantástico Dr. No. A
porta do carro se abriu e uma jovem foi empurrada para fora dele. Ela saiu
tropeçando na mala que fora jogada logo a seguir sobre ela e quase se chocou
com a foto do ator Sean Connery no cartaz que estava emoldurado na vitrine do
cinema com cara de agente com licença para matar.
domingo, 3 de julho de 2016
TRAPAÇAS DO DESTINO CAUSA E EFEITO
Trecho do livro.
Helena já de pé começou andar pelo quarto com o fio
do telefone enrolando em suas pernas, questionava
Augusto,
com um misto de satisfação e temor em sua voz alterada.
– Ninguém o viu pegar a criança. Pergunta Helena.
– Você tem certeza de que foi abandonada?
– Acho que sim, eu não vi a mãe, nem ninguém por
perto, o bebê estava numa cesta de vime enrolado num pano
encardido que já joguei fora e embrulhei em uma toalha de
mesa de linho branco.
– Você olhou bem a criança, não tem nenhum defeito
aparente; ela é branquinha. – Isso importa para você?
– Eu não gostaria que fosse muito moreninho; na nossa
família não tem ninguém de cor.
Augusto respira fundo e suspira.
– Ah, Helena Isso não é hora de pensar em cor da pele.
Esse é nosso sonho, mas fique tranquila: ele é branco de
cabelos negro e olhos de cor violeta.
– Tem certeza, Augusto? Nesse escuro você consegue ver
bem?
– Claro, Helena, estou com ele no colo.
– E como nós vamos fazer? Levar para o juizado?
– Você não quer o bebê?
– Quero muito, mas acho que corremos o risco de sermos
descobertos, Augusto.
– E se nos levássemos ele para o interior e arrumássemos
um documento? – sugeriu Augusto Rocha, sabendo que sua
mulher concordaria.
– Você acha isso possível? – perguntou Helena aceitando
a ideia.
– Lá é bem mais fácil. Na maternidade local da nossa
família, a gente dá um jeito, vai ser bom para ele. Nós
vamos
fazer um bem a um ser humano abandonado.
– Eu vou sair antes que chegue alguém. Passo agora
mesmo aí em casa e pego você.
Do outro lado da linha, Helena respondeu com um
sorriso, roendo as unhas:
– Tá bom, querido, você me convenceu. Só pode ser um
presente
de Deussábado, 2 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
quarta-feira, 29 de junho de 2016
sexta-feira, 24 de junho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
terça-feira, 21 de junho de 2016
O MENINO QUE QUERIA VOAR
Depois de alguns minutos de hesitação, bestificados retornavam às suas casas. Nem todos desaparecidos passavam por estas experiências, mas quase sempre todos eles chegavam maltrapilhos e cambaleantes e contavam histórias parecidas para suas esposas ao chegarem de madrugada amarfanhados e caindo dos seus cavalos na porta da casa. Diziam ter sido raptados por grandes esferas misteriosas que surgiam do céu em meio às estrelas, de onde surgiam estranhos seres envoltos em roupas metálicas ,eles eram imobilizados por feixes de luz que os levavam em viagens no espaço em velocidades alucinantes a mundos desconhecidos. Mas, quando eram questionados sobre esses supostos lugares ao chegarem em casa, eles não sabiam explicar às suas famílias, pois voltavam com amnésia, com suas roupas rasgadas e enlameados, não conseguiam descrever esses supostos mundos restando apenas lembranças remotas, que tentavam montar como um quebra-cabeças sem algumas peças. Suas mulheres não acreditavam nessas histórias, por chegarem com bafo de aguardente e sem o dinheiro das vendas das colheitas. Aos sábados, Maravilha transformava-se no lugarejo fervedouro. Esse era o clima que antecedia a grande festança. O desfile das enfeitadas charretes e cavalos adornados competiam com os carros de boi, e seu canto das rodas estridente alegrava as manhãs ensolaradas, congestionando a estrada do Lameirão até o centro de Paty. O Hotel de Quindins fervilhava de turistas da capital pelo revigorante clima afrodisíaco e da fama de seu Casino moderno. Para os nativos, o grande acontecimento da semana era o baile local, no início da noite no arraiá. Na parte da tarde, acontecia também o encontro no mesmo arraiá do açoite, como era chamado, por ter sido construído no local de uma antiga senzala perto do armazém. Nesse lugar, alimentavam-se de histórias no encontro aos sábados, quando havia reunião do grupo de prosa e de noctívagos das redondezas, no armazém do João Gouveia, para comemorar boas colheitas e trocar tostões de prosa e contar suas aventuras deveras mirabolantes, sempre regadas à boa pinga da roça, produzida no alambique da fazenda Maravilh. Cada prosador no seu tempo tinha o direito de expor suas aventuras e Prosas sem interferência alheia, pois haviam estabelecido um código de crendice entre eles, que se perpetuou desde o tempo do império, com o aval auspicioso do João Gouvêa. Este creditava o sucesso das vendas do seu armazém à magia do lugar. Os contadores de história ficavam envolvidos pelo público ávido por novas fábulas. Eles se acotovelavam por um lugar na roda que se formava pela plateia, em volta dos ilustres membros noctívagos, sentados em número de doze, em uma grande mesa de madeira rústica. Como se fossem os cavaleiros da Távola Redonda, os prosadores permaneciam por horas a fio degustando linguiça torresmos, e chouriços, regados à cana-caiana e pinga da roça. A plateia não arredava o pé do lugar, hipnotizado pelos relatos mirabolantes. Envaidecidos, eles seguiam entusiasmados, contando suas fábulas e suposta falácias e aventura. Zé Queiroga gostava de narrar a sua experiência com os espíritos dos escravos da fazenda Maravilha, que durante um século guardaram potes de ferro repletos de pepitas de ouro que eles achavam nos rios da região e escondiam dos seus senhores engolindo-as. Posteriormente, eles as defecavam em caldeirões de ferro e enterravam nos arredores da senzala, pensando um dia poder usar a riqueza camuflada junto aos seus dejetos secos para comprarem sua liberdade. No entanto, como a abolição chegou antes, eles não puderam usar as pepitas, pois seriam acusados de roubo e voltariam para a senzala. Sabiamente, eles mantiveram segredo por um século, e os caldeirões de pepitas posteriormente passaram a ser protegidos por guardiões do além. Contava Zé Queiroga com sua voz de trovão
O MENINO QUE QUERIA VOAR
Depois de alguns minutos de hesitação, bestificados retornavam às suas casas. Nem todos desaparecidos passavam por estas experiências, mas quase sempre todos eles chegavam maltrapilhos e cambaleantes e contavam histórias parecidas para suas esposas ao chegarem de madrugada amarfanhados e caindo dos seus cavalos na porta da casa. Diziam ter sido raptados por grandes esferas misteriosas que surgiam do céu em meio às estrelas, de onde surgiam estranhos seres envoltos em roupas metálicas ,eles eram imobilizados por feixes de luz que os levavam em viagens no espaço em velocidades alucinantes a mundos desconhecidos. Mas, quando eram questionados sobre esses supostos lugares ao chegarem em casa, eles não sabiam explicar às suas famílias, pois voltavam com amnésia, com suas roupas rasgadas e enlameados, não conseguiam descrever esses supostos mundos restando apenas lembranças remotas, que tentavam montar como um quebra-cabeças sem algumas peças. Suas mulheres não acreditavam nessas histórias, por chegarem com bafo de aguardente e sem o dinheiro das vendas das colheitas. Aos sábados, Maravilha transformava-se no lugarejo fervedouro. Esse era o clima que antecedia a grande festança. O desfile das enfeitadas charretes e cavalos adornados competiam com os carros de boi, e seu canto das rodas estridente alegrava as manhãs ensolaradas, congestionando a estrada do Lameirão até o centro de Paty. O Hotel de Quindins fervilhava de turistas da capital pelo revigorante clima afrodisíaco e da fama de seu Casino moderno. Para os nativos, o grande acontecimento da semana era o baile local, no início da noite no arraiá. Na parte da tarde, acontecia também o encontro no mesmo arraiá do açoite, como era chamado, por ter sido construído no local de uma antiga senzala perto do armazém. Nesse lugar, alimentavam-se de histórias no encontro aos sábados, quando havia reunião do grupo de prosa e de noctívagos das redondezas, no armazém do João Gouveia, para comemorar boas colheitas e trocar tostões de prosa e contar suas aventuras deveras mirabolantes, sempre regadas à boa pinga da roça, produzida no alambique da fazenda Maravilh. Cada prosador no seu tempo tinha o direito de expor suas aventuras e Prosas sem interferência alheia, pois haviam estabelecido um código de crendice entre eles, que se perpetuou desde o tempo do império, com o aval auspicioso do João Gouvêa. Este creditava o sucesso das vendas do seu armazém à magia do lugar. Os contadores de história ficavam envolvidos pelo público ávido por novas fábulas. Eles se acotovelavam por um lugar na roda que se formava pela plateia, em volta dos ilustres membros noctívagos, sentados em número de doze, em uma grande mesa de madeira rústica. Como se fossem os cavaleiros da Távola Redonda, os prosadores permaneciam por horas a fio degustando linguiça torresmos, e chouriços, regados à cana-caiana e pinga da roça. A plateia não arredava o pé do lugar, hipnotizado pelos relatos mirabolantes. Envaidecidos, eles seguiam entusiasmados, contando suas fábulas e suposta falácias e aventura. Zé Queiroga gostava de narrar a sua experiência com os espíritos dos escravos da fazenda Maravilha, que durante um século guardaram potes de ferro repletos de pepitas de ouro que eles achavam nos rios da região e escondiam dos seus senhores engolindo-as. Posteriormente, eles as defecavam em caldeirões de ferro e enterravam nos arredores da senzala, pensando um dia poder usar a riqueza camuflada junto aos seus dejetos secos para comprarem sua liberdade. No entanto, como a abolição chegou antes, eles não puderam usar as pepitas, pois seriam acusados de roubo e voltariam para a senzala. Sabiamente, eles mantiveram segredo por um século, e os caldeirões de pepitas posteriormente passaram a ser protegidos por guardiões do além. Contava Zé Queiroga com sua voz de trovão
sábado, 18 de junho de 2016
O MENINO QUE QUERIA VOAR
Depois
de tentar, sem sucesso, vender limonada e engraxar sapatos para arrumar um
dinheirinho e assistir ao seu primeiro filme no cinema Metro, que era mais caro
que o Olinda, o menino contou com a sorte. Descendo a ladeira, ele achou uma
nota de dez cruzeiros. O inusitado aconteceu: encontrar dinheiro na rua na
descida do morro, onde quase todo mundo anda olhando para o chão, em pleno
domingo, em que todos se preparavam para
ir ao cinema, só poderia ser considerado um milagre. Seus irmãos não tinham grana
para levá-lo ao cinema. Aquilo era um verdadeiro golpe da sorte. Afinal, poucos
tinham para gastar e nenhum para perder. O filme era de fantasia, de Walt
Disney, e o cinema Olinda era o maior da praça. Ele perdeu mais tempo verificando
as pilastras do que o filme.
TRECO DO LIVRO
Entre
uma brincadeira e outra, treinava autodefesa, chutando pedras e dando socos nas
cercas de madeira. Alguns tapas trocados entre ele e sobrinhos, da sua idade, os
ajudavam a manter a forma para alguma eventualidade. As brigas entre o menino
que queria voar e seu sobrinho Edson, sempre incentivadas pelo seu irmão Jonas,
que adorava vê-los se pegando, eram corriqueiras. Outras vezes, este mesmo
irmão o defendia da dupla cavernosa, Alicate e Dejailson, que infernizava a
vida dele quase todos os dias. Dessa forma ganhava imunidade para continuar
sobrevivendo. Neste ínterim, as drogas começaram a aparecer timidamente no
morro. Ficavam restritas a uma minoria não organizada e bastante discriminada.
As armas eram um direito de todos, que se precaviam adquirindo uma para sua
proteção. Portanto, todos eram iguais perante as armas e não existia lei, nem a
dos mais fortes. A polícia aparecia de vez em quando para prender desempregados
ou vagabundos. O menino percebia que, em tais circunstâncias, só a fé da sua
mãe poderia protegê-lo das artimanhas, das armadilhas das sombras do mal.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
sábado, 11 de junho de 2016
TEMPOS DE TRAIÇÃO POSSUÍDOS POR AMBIÇÃO.
Lancarto desembarcou em Londres com uma aparência de um homem de cinquenta anos ,barbudo e bem mais magro. Com pouco dinheiro, ele se estabeleceu no subúrbio de Londres para não chamar atenção. Se misturou ao povo pobre ,que ele chamava de ralé .
localizou seu ex-quinhoeiro ,Lorde Thomas Spider em um banco negociando a venda das minas em um leilão.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
terça-feira, 7 de junho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
sábado, 4 de junho de 2016
quinta-feira, 2 de junho de 2016
TEMPOS DE TRAIÇÃO POSSUÍDOS POR AMBIÇÃO
TRECHOS DO LIVRO
Nos anos vinte, esse grupo de camponeses, que não
tinha como ideais ideologias marxistas ou comunistas, lutavam contra um governo
corrupto e cruel, que os escravizava em benefício dos latifundiários e donos de
usinas de açúcar, jazidas de carvão e minérios nobres, como ouro e prata, que
eram o carro-chefe da economia local.
O presidente Don Lancarto Aranha governava com mão
de ferro esse país de dimensões continentais. Dividia o poder e os dezessete
milhões, oitocentos e dezenove mil e cem quilômetros quadrados com seus
seguidores, nomeados com títulos de nobreza, negando aos pobres trabalhadores
rurais e os nativos o direito à escola ou qualquer direito trabalhista.
Chacon temia terminar como todos os membros da
frente revolucionária, que quando descobertos eram perseguidos, presos e
desapareciam misteriosamente das cadeias de San José. Boatos de rituais
macabros se espalhavam pela cidade. A família Lancarto tinha um zoológico
particular com animais vindo da África e da Ásia, como leões e tigres, que
diziam ser alimentados por opositores mortos em rituais secretos. O povo
acreditava que tais rituais lhes concederiam mais poderes. Suas propriedades
ostentavam símbolos que representavam para os nativos o sacrifício.
Chacon tentava não pensar nisso para não perder a
coragem e seguir na luta. Seu filho Venâncio, com cinco anos, não entendia o
que se passava com a sua família, reclamava das andanças do pai e da mãe, que
não podiam deixá-lo em casa sozinho.
Em poucos meses de militância, Chacon fora incluído
na lista negra do clã Lancarto como inimigo número um e teve sua propriedade
confiscada. Restavam poucas alternativas ao bravo líder; ele havia perdido os
poucos bens que tinha, e suas terras poderiam ser ocupadas imediatamente pelos
simpatizantes do governo.
Chacon e sua mulher passaram a ser perseguidos
pelo governo, e poderiam ser traídos por qualquer ambicioso que não se
identificasse com a causa que ele defendia. Ele havia sido alertado pelo padre
Francesco, que passara por sua propriedade naquela tarde a caminho de San
Paranhos, onde implantava um convento, que a sua prisão havia sido decretada.
Sem alternativa, Chacon estabeleceu um plano de fuga em direção às montanhas de
Talvegue, que ele e sua mulher conheciam bem.
Na madrugada fria do dia seguinte, deixaram para
trás seu povoado. Para Chacon, só havia uma saída: fugir. Era preciso preservar
seu sonho, sua integridade física e da sua família. Tiveram que deixar pra trás
suas terras e a casa onde moravam.
Após se manterem escondidos por dois meses na
floresta de San José de Talvegue, decidiram atravessar a montanha onde a
milícia não se aventurava com medo da guerrilha. Ele conseguia passar
despercebido dentro da floresta e por várias vezes presenciara as escaramuças
da guerrilha contra as milícias, que revidavam com um poder de fogo muito
superior devido às armas vindas do exterior, exterminando ou colocando os
milicianos em fuga. Chacon se revoltava com perda de vida de ambos os lados,
que só beneficiava o clã Lancarto.
Apesar de estar tão perto da batalha, Chacon até
aquele momento não cruzara com nenhum membro da guerrilha, e ficava feliz de
não ter que se incorporar às suas fileiras, de cujos membros ele divergia.
Durante a fuga, Chacon e sua mulher estavam exaustos, e se revezavam na tarefa
árdua de carregar o filho nas costas. O pequeno Venâncio estava desnutrido, sua
alimentação precária o havia debilitado, e constantemente padecia de febre.
Mercedes conseguia tratá-lo com remédios extraídos de plantas medicinais, que
ela conhecia e dominava profundamente por sua origem indígena.
Para facilitar a fuga, não carregavam nenhuma
roupa ou bagagem, usavam a sabedoria ancestral de Mercedes Dolores sobre o
conhecimento do terreno para extrair seu alimento e energia para sobreviverem
àquele momento difícil. Levavam na fuga somente um cantil para água, um pequeno
embornal com pedaços de pão, sal, um pequeno pedaço de carne defumada que já
estava acabando, duas pequenas pedras que serviam para fazer fogo, uma pequena
lamparina com óleo para iluminar em caso de emergência, e dois livros; um sobre
a Constituição americana, e a Bíblia, que Chacon lia nos momentos de reflexão
sobre a sua missão. Era nela que encontrava o conforto que tanto precisava. Ele
buscava forças nos salmos de Davi, e se recarregava de energia e esperança
durante as poucas vezes que param durante o dia. Sua esperança de dias melhores
para seu povo era retirada dos conselhos do padre Francesco, em quem confiava
para levar adiante essa jornada, e dos salmos de Davi, que o regenerava e lhe
dava forças para prosseguir na luta
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